Os contratos futuros da soja fecharam a segunda-feira (23) com leves baixas na Bolsa de Chicago. O vencimento março recuou 0,29%, para US$ 11,3425 por bushel, enquanto o contrato maio teve queda 0,30%, encerrando a US$ 11,4975 por bushel.
De acordo com as informações da Granar, o mercado reagiu as informações das tarifas americanas e o resultado foi um pregão de oscilações intensas, mas com fechamento levemente negativo, refletindo a aversão ao risco e a preocupação com possíveis impactos sobre o comércio internacional de commodities agrícolas.
Ao longo do dia, Trump utilizou as redes sociais para tentar conter a crescente resistência de países que haviam firmado acordos comerciais com os Estados Unidos sob o regime tarifário agora anulado. Com a decisão judicial, parte dessas nações passou a reavaliar concessões feitas anteriormente aos interesses americanos.
Em publicação na plataforma Truth Social, o presidente afirmou que países que tentarem se beneficiar da decisão da Suprema Corte poderão enfrentar tarifas ainda mais elevadas no futuro. Em outra mensagem, declarou que, como presidente, não precisaria de nova aprovação do Congresso para impor tarifas, argumentando que tais poderes já estariam assegurados.
De acordo com as informações da Agrinvest, o mercado segue especulando a continuidade das compras chinesas no curto prazo, com o retorno do país do feriado sendo monitorado.
Milho
No caso do milho, os contratos futuros encerraram o dia com leve alta na Bolsa de Chicago. O vencimento março registrou avanço de 0,11%, fechando a US$ 4,4025 por bushel.
De acordo com as informações de Jack Scoville, analista de mercado da Price Futures, mesmo após momentos de recuperação impulsionados pela demanda, os relatórios recentes do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) confirmam que ainda há excedente no mercado. A projeção de área plantada nos Estados Unidos, próxima de 95 milhões de acres, reforça a expectativa de uma safra volumosa e pressiona os contratos futuros negociados em Chicago.
O mercado também está atento as temperaturas previstas para as regiões produtoras nos Estados Unidos devem ficar próximas ou acima da média nesta semana, favorecendo o desenvolvimento das lavouras. Além disso, as boas condições na Argentina e a expectativa de produção elevada ampliam o quadro de oferta global, fator que também pesa sobre os contratos em Chicago.
Por outro lado, a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que declarou ilegais as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump é vista como potencialmente positiva para os mercados agrícolas americanos. A medida pode reduzir custos de insumos importados e estimular as vendas à vista para exportação, trazendo algum suporte aos preços na Bolsa.
Trigo
No mercado do trigo, o contrato com vencimento em maio registrou queda de 1,12%, fechando cotado a US$ 5,7375 por bushel.
De acordo com o MarketScreener, os futuros do cereal tiveram desempenho misto ao longo do pregão. As previsões de clima seco em áreas produtoras do Texas chegaram a estimular compras e sustentaram altas momentâneas no contrato de maio. No entanto, o movimento perdeu força e as cotações acabaram devolvendo os ganhos, encerrando em baixa.
O site também destacou que o setor de commodities, de forma geral, foi pressionado por um movimento de venda mais intenso nos mercados acionários. Ainda assim, os grãos mostraram maior resiliência, com o interesse em aberto nas opções sendo direcionado para os novos vencimentos.
Andressa Simão – CNN Brasil